Publicado em

 

anarchist

Sei que esse título daria matéria prima para vários textos, enfocando vários aspectos da questão, mas aqui pretendo me ater a apenas um deles: por que ficamos de fora de todos os serviços de distribuição de áudio e vídeo em virtude de problemas com copyright?

A primeira vez em que me frustrei por conta dessa questão foi quando do surgimento do Pandora.com, se não me engano em 2005. Passei algum tempo usando o site regularmente e estava bastante empolgado com a possibilidade de, através dele, conhecer mais música, ter contato com o trabalho de diferentes artistas que guardassem, em suas obras, relação com os estilos musicais de minha preferência.

O que era bom durou pouco. Várias disputas envolvendo cobranças de royalties culminaram em determinações da Copyright Royalty Board, baseadas em normas do Digital Millennium Copyright Act, que afetaram as net radios em geral e em especial o Pandora.com. De acordo com as novas determinações, a rádio deveria pagar pela reprodução de cada música individualmente, além de pagar em valores equivalentes ao triplo do que era pago por uma rádio comum.

O sistema do Pandora.com precisou ser reformulado e uma das medidas para tentar manter o negócio em funcionamento foi o fechamento do serviço de streams para o mundo. Por força de tais medidas, apenas os EUA restaram como audiência para a site. Até mesmo o vizinho Canadá teve de ser excluído. Vale a pena dar uma olhada na declaração oficial da empresa, feita em 2007, em virtude  do ocorrido.

O efeito disso foi tal que, depois do ocorrido com o Pandora, todos os serviços de distribuição de áudio e vídeo destinados a veicular material protegido por copyright já surgiram, desde o lançamento, com a tal restrição implementada ou tendo-a em vista.

É por isso que não temos aqui acesso aos vídeos do Netflix, por exemplo. E é por isso também que não podemos sequer checar como anda o funcionamento dos novos serviços de música baseados em nuvem da Amazon ou da Google.

A Last.FM conseguiu manter o acesso aos demais países cobrando mensalidade aos usuários localizados fora dos EUA. Eu mesmo fui assinante e fiel pagador por um bom tempo. Parei após me irritar com o fato de, mesmo como pagante, meu acesso ser de segunda categoria. Aqui no Brasil, um usuário da Last.FM que paga mensalidade para ter acesso ao stream de música (semelhante ao do Pandora) tem de enfrentar limitações como não poder utlizar o app oficial no Android para ouvir música e nem o do Xbox 360.

No caso do Android, a versão do app oficial da Last.FM instalada no seu aparelho através do Android Market vem sem as funções de stream quando o sistema detecta se tratar de  um usuário brasileiro. No caso do Xbox 360, é possível tentar iniciar o stream e receber o aviso de que o serviço não está disponível para a sua localidade, mesmo você tendo uma assinatura paga. Cansado dessa irritante contradição, preferi encerrar minha assinatura.

Um dos grandes desafios para transformar a internet num espaço interessante para comercialização de conteúdo de áudio e vídeo é a viabilização de formas mais maleáveis de regular esse mercado. O que foi feito até agora, o foi de maneira muito burra. A fonte de toda essa estupidez, nós sabemos, é a truculência com que a envelhecida e moribunda indústria fonográfica escolhe defender seus interesses.

É por conta dessa maneira arrogante, truculenta e inflexível de negociar adotada pelos conhecidos “copyright bullies” que nós estamos aqui, dispostos a pagar para usufruir de conteúdo legítimo, adquirido legalmente, comercializado em plataformas modernas e inteligentes que nos despertam grande interesse e simplesmente não podemos.

Pra esses lunáticos que tanto nos atrapalham a vida enquanto sufocam-se na própria ganância e na estreiteza de suas visões de mundo, deixo um lembrete: o isohunt é bem ali! Muitas vezes, são as decisões de vocês que fazem com que ele seja a única escolha do usuário.

Categorias: tecnologia / Tags , , , , , .

7 respostas a Serviços de stream e copyright – os excluídos digitais somos nós

  1. @soberbo disse:

    yp.shoutcast.com e seja feliz!

  2. Irio Musskopf disse:

    É triste mesmo essa condição. Nenhum serviço decente para compra de músicas. Usava a rádio do Last.fm quando era free e excelente. Depois, simplesmente deixam só os Eua no plano completo e free e cobram assinatura do resto do mundo.

  3. Pingback: Samsung Galaxy S G70 - media player Android como uma boa alternativa ao iPod

  4. Pingback: SOPA foi apenas o grunhido de uma besta abatida

  5. Pingback: Google Play Store substitui o Android Market; nada muda para nós

  6. Pingback: Senzari, um grande projeto do qual não se ouve falar

  7. Pingback: Senzari, um grande projeto do qual não se ouve falar | Droider - Mobile, gadgets, novidades tecnológicas com opinião.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>