Publicado em

url17

Recentemente, o mercado de “brinquedos” tecnológicos tem se tornado um tanto estranho para mim. Isso devido ao grande destaque dado à propaganda das TVs 3D e a esse hype que coloca os tablets praticamente como bens de consumo essenciais. Essa publicidade não me convence muito.

Não considero um tablet algo “mobile” o suficiente para que eu possa andar por aí com ele e a tela do Galaxy S me atende perfeitamente para que eu possa ler até mesmo longos textos onde quer que eu esteja. Ademais, os displays existentes no setup atual do meu home theater me agradam por demais e as promessas da nova onda 3D não me seduzem, em absoluto.

Apesar de encontrar regularmente pessoas com outras leituras desses temas, alguns entusiastas de TVs 3D e muitos empolgados com a onda dos tablets, considero não estar sozinho com essas opiniões. Vejamos o que diz a Wired sobre as promessas na área de displays tridimensionais.

3-D televisions are still as useless in your living room as they were last year, but there’s an array of new gadgets and software to let you create your own 3-D photos and video.

Quer dizer, o coelho que a indústria pretende tirar da cartola para finalmente nos convencer das maravilhas de ter um display 3D na sala consiste em nos vender outras coisas para que nós mesmos possamos produzir conteúdo 3D, suprindo assim a falta desse no mercado. Eles não querem apenas que você fique feito trouxa no sofá com um óculos na cara apenas para ver TV. Querem convencê-lo de que é super vantajoso você filmar aquele churrascão de família do domingo em 3D e depois distribuir óculos para que todos os participantes possam assistir.

Tudo bem, pode ser uma brincadeira interessante filmar por aí em 3D com novos equipamentos que terão preços muito mais acessíveis. Câmeras “point-and-shot” capazes de produzir conteúdo 3D custando algo em torno de 500 dólares e filmadoras prometendo resultados muito refinados por U$ 1.400,00 podem ajudar a emplacar a ideia do 3D na sua sala, mas eu continuo muito cético quando a essa migração. Colocando tudo no plano da sensatez, acredito que um consumidor que está realmente em vias de adquirir novos displays pode, efetivamente, julgar a aquisição de uma tela 3D, mas para quem já tem equipamentos para lá de satisfatórios não acredito que, ainda em 2011, fará sentido correr para substitui-los.

Talvez uma boa ajuda para impulsionar a adesão às TVs 3D pudesse vir dos video games, com jogos bem elaborados para explorar essa nova possibilidade e voltados para o público de jogadores “hardcore”, mas não é provável que isso venha acontecer tão cedo porque a Sony e a Microsoft no momento estão ocupadas copiando o conceito da Nintendo e tentando cativar os jogadores casuais com o Move e com o Kinect.

Quanto aos tablets, ainda considero interessante ter um dispositivo como esse na mesa da sua sala para ler notícias e para eventualmente operar em conjunto com um sistema de automação residencial, possibilitando controlar tudo com facilidade, mas não consigo é compreender o hype que coloca esses dispositivos como algo “must have” para todos os seres viventes.

Ademais, convenhamos, o único desafiante à altura do iPad surgido em 2010 foi o Galaxy Tab, da Samsung. Com outras marcas entrando na disputa e com os próprios sistemas operacionais amadurecendo para melhorar a experiência de usuário nesse form-factor, talvez tenhamos preços mais interessantes e produtos mais bem acabados. Passada a euforia do modismo, é possível que tenhamos motivos mais concretos para desejar um tablet.

Falando em controlar sistemas de automação com o smartphones, parece que o tema anda quente na CES 2011. A verdade é que esses dispositivos estão se tornando cada vez mais capazes, tanto em termos de poder de processamento quando em velocidade de transferência via Wi-Fi. Com isso, aumentando-se a disponibilidade de soluções de software, abre-se um grande universo de possibilidades.

A tendência é que a comunicação entre o smartphone e o restante dos equipamentos seja intensificada, inclusive com o aumento do emprego de soluções com stream de mídia entre o celular e os equipamentos de áudio e vídeo. A idéia é poder não só controlar outros sistemas, mas também reproduzir em qualquer equipamento os conteúdos de áudio, vídeo e fotos que você carrega armazenados no aparelho. Resta deixar tudo isso prático e fácil de usar, para que as soluções sejam acessíveis ao usuário comum.

Falando em velocidades de transferência, aparelhos capazes de conexão 4G estão ganhando a cena, o problema por aqui é a viabilidade do serviço. A internet móvel no Brasil parece ainda não ser levada muito a sério. Se você observar o símbolo que designa o tipo de conexão estabelecida pelo seu aparelho em diferentes momentos, verá que, com o sistema configurado para selecionar automaticamente a conexão disponível, ainda usamos 2G boa parte do tempo, até mesmo em áreas abertas, onde não há uma justificativa aparente para má qualidade do sinal. O entusiasmo em torno da conexão 4G, embora esteja em alta agora mesmo na CES 2011, não significa muita coisa para nós aqui.

Esse ano promete também um grande impulso no poder de processamento de todos os dispositivos, desde o computador de mesa, passando pelos notebook e tablets e chegando no smartphone que vai dentro do seu bolso. Uma novidade interessante prometida para 2011 é a Fusion APU, da AMD. Uma solução que combina os papeis de uma CPU de de uma GPU numa só peça de hardware.

Os benefícios de uma solução dessa natureza são vários. Além de elevar a capacidade de processamento de vídeo das máquinas, tendo em vista que nem todas são equipadas com boas GPUs e as CPUs tradicionais não apresentam o rendimento ideal nessa área, as APU irão disponibilizar um poder de processamento mais diversificado e poderão realizar o que a AMD chama de “personal supercomputing”, uma vez que os desenvolvedores poderão utilizar as capacidades diferenciadas do processador gráfico para otimizar funções de processamento paralelo, com considerável ganho de desempenho nas aplicações.

Uma vez que essa solução integrada se destina, entre outras coisas, a oferecer maior desempenho com menor consumo de energia, a novidade da AMD deverá se popularizar bastante em notebooks e netbooks ao longo de 2011.

A Intel apresenta como novidade a arquitetura de processadores Sandy Bridge, que não é tão revolucionária como a Fusion APU, mas quem domina mais de 80% do mercado de processadores não precisa reinventar a roda todo ano. As novas CPUs da Intel também apresentarão otimizações na parte de vídeo e melhoras no rendimento, com melhor balanço entre desempenho e consumo de energia. Falei recentemente de uma interessante novidade possibilitada pela arquitetura Sandy Bridge.

Ainda no campo dos processadores, 2011 será o ano em que as CPUs com múltiplos núcleos chegarão aos smartphones. O LG Optimus 2X saindo na frente com nVidia Tegra 2, de núcleo duplo.

Mesmo com alguma variedade surgindo no horizonte, a nVidia parece estar preparada para liderar o mercado de CPUs para mobile devices em 2011. Além do LG Optimus 2X, que está em vias de ser lançado, esses processadores deverão muito em breve equipar dispositivos da Samsung e da Motorola, tanto em smartphones quanto em tablets.

Muita coisa ainda está para rolar e não pretendo aqui dar uma de profeta. Apenas peguei por base uma postagem da Wired para tecer aqui meus próprios comentários. Quem sabe numa próxima CES eu dê uma volta por lá para trazer impressões mais apuradas aos textos?

Categorias: Gadgets / Tags , , , , , , .

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>