Tablets para inclusão digital são como brioches para a falta de pão

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Na recente campanha presidencial, Dilma Rousseff teve um aparente "momento de Maria Antonieta" ao declarar seu fascínio pelo iPad e sua vontade de que os tables sejam popularizados no Brasil como parte do plano de inclusão digital do Governo. Digo aparente porque por trás da declaração há, é claro, o toque de um publicitário. Fico imaginando.


Publicitário: Olha, precisamos ganhar mais simpatia das elites. Quer saber, esses idiotas andam tão fascinados com o tal do iPad que se você disser que gosta desse troço eles vão gostar de você também.

Dilma: Boa idéia. Deixa comigo.

Qualquer um que já tenha estado com um tablet sabe que apenas um doido varrido pode afirmar que ele substitui um computador em toda e qualquer situação. A entrada de textos naqueles troços, por exemplo, pode ser feita eventualmente, até com razoável desenvoltura, mas se você pretende produzir longos tratados por ali, você precisa muito mais é de ajuda médica. O diagnóstico mais frequente é fanboyzismo delirante.

Ou seja, o tablet é pensado para ser um gadget extra, usado em situações específicas por quem já possui um computador. Então não há de se falar em inclusão. Inclusão digital através de tablets é uma baita sacanagem com o povo, que vai ficar sofrendo para digitar qualquer coisa naqueles teclados virtuais.

"Ah, mas a Índia tem um projeto maravilhoso de um tablet popular de US$ 35,00!" Peraí, né!? Estou falando que iPad, Galaxy Tab, tablets hi-end não substituem um computador em todas as situações… você me vem com um tablet indiano de US$ 35,00!? Se você conseguir digitar a URL desse blog numa porcaria dessas sem ter vontade de jogá-lo na parede e vê-lo espalhar-se em pedaços, esteja certo de que tem vocação para monge!

Um tablet é e sempre será mais caro do que um PC comum porque ele envolve uma brutal redução nas dimensões dos componentes. Acabei de ver PC completo numa loja, acompanhado de um monitor LCD widescreen de 20", por R$ 650,00. Com uma máquina dessas você poderá fazer quase tudo, praticamente só não poderá rodar games sofisticados (mini fazenda rola). Sabe o que você faz com um tablet que custa esse mesmo preço? Usando de criatividade, arruma um suporte pra ele e transforma num porta-retrato digital, porque é impossível operar uma porcaria dessas para qualquer outra coisa.

A realidade é essa. O iPad é um produto interessante? Sim, se você já possui um bom desktop ou notebook, anda por aí com um bom smartphone, o tablet é o último gadget que você irá adquirir, tendo em vista que apenas em funções muito específicas ele será melhor do que os outros. Ele nem fornece a mobilidade de um smartphone (não cabe no bolso) e nem a comodidade para entrada de texto de um desktop ou notebook.

A um equipamento dessa natureza não se pode, obviamente, atribuir a missão de promover inclusão digital. Pensar nos tablets como equipamentos oportunos para o cumprimento dessa missão é prova de completo desconhecimento da realidade dessas tecnologias e, como proposta, soa parecido com a sugestão de brioches para a falta de pão.

Em tempo: Quando falo em inclusão digital nesse texto, me refiro a dar acesso ao mundo da tecnologia da informação a pessoas de baixa renda. Há outros tipos de inclusão digital, como por exemplo aquela destinada aos idosos e às crianças, onde os tablets podem cumprir muito bem a função, mas isso você pode ler nesse ótimo artigo da Bia Kunze.


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  1. Jbineli
    voto com o relator e nao vou ler a Bia coisa nenhuma
    :D
  2. The King
    continum com meu nokia 2160, meu unico portatil… me dá os numeros da mega sena e os resultados dos jogos via wap. o/
  3. hehehe

    Não se preocupe, agora com a parceria entre as empresas, quem sabe a Nokia não libera uma versão do Windows Phone 7 pro seu 2160! :mrgreen:

  4. The King
    Mas falando sério… para que diabos eu vou usar um tablet ? Eu nao consigo vislumbrar nenhum uso que nao remeta a estar sentado na minha querida porcelana branca.
  5. Mauzim
    Artigo muito 10, gostei. Bem escrito e explicado. Continue assim.

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