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O Kindle Fire, recentemente anunciado, tem tudo para ser um produto bem-sucedido. Trata-se de um tablet de preço muito baixo para o que oferece, que dará acesso a um acervo incrível de conteúdo e que tem a Amazon como uma forte e tradicional varejista para impulsionar suas vendas. Diante dessas constatações, muita gente (inclusive eu mesmo) foi levada a crer que o Android ganhava no Kindle Fire um forte aliado para fazer frente ao iOS e ao iPad como plataforma. Há dois grandes equívocos nessa leitura: primeiramente, o Kindle não está para o Android como aliado; ademais, ele pode eventualmente concorrer mais com o próprio Android do que com o iPad.

Mudei por completo meu entendimento sobre o provável impacto da entrada da Amazon na correlação de forças entre o Android e o iOS durante a elaboração de uma pauta especial para o Techtudo sobre o tema. Precisei reunir muita informação sobre os planos da Amazon para o tablet e as conclusões decorrentes desses dados são bastante interessantes.

Primeiramente, é preciso saber que, embora o sistema operacional do Kindle Fire use o Android como base, ele é tão modificado que pouco se vê ali de Android. As alterações não se limitam ao nível da interface de usuário. Elas mudam por completo o Android e a maneira como ele se integra a um ecossistema que lhe provê apps e conteúdo. O Kindle Fire nem sequer acessa o Android Market, que nele é substituído pela App Store da Amazon.

O próprio navegador padrão do Android foi substituído por um browser otimizado da Amazon, chamado Amazon Silk. Indo além, os serviços de armazenamento e disponibilização de conteúdo na nuvem são, obviamente, os da Amazon. O Kindle Fire não dará acesso ao Google Music, claro, concorrente frontal da nuvem da Amazon e do seu Cloud Player.

O uso que a Amazon passa a fazer do Android é, até agora, o caso mais extremo de efetivação da “liberdade” existente para fabricantes de dispositivos com o sistema operacional. Isso porque os demais fabricantes, embora usem o Android como queiram para equipar seus sistemas e comercializar soluções próprias, o fazem deixando que esses dispositivos orbitem sempre em torno do ecossistema da Google.

No caso da Amazon, o Android é arrancado por completo dos domínios da Google e passa a ser utilizado praticamente como se a própria Amazon fosse a “dona da bola”. Ou seja, trata-se de uma relação por completo unilateral, onde o Android trabalha a favor da Amazon, mas o sucesso do Kindle Fire não serve de absolutamente nada para amplicar a participação da Google no ambiente dos tablets, onde ela encontra grande dificuldade de concorrer com a Apple.

Indo alé, pode-se prever que, como a Apple tem no iPad uma plataforma solidificada, é muito provável que o primeiro impacto do sucesso previsto para o Kindle Fire resulte numa queda na venda de outros tablets com Android. Nesse caso, além de não ajudar, o Kindle Fire atrapalha os planos da Google para com os tablets.

Talvez a Amazon venha, num segundo momento, a comer uns nacos do enorme market share hoje pertencente à Apple no mercado de tablets, mas inicialmente os primeiros afetados serão os fabricantes de tablets com Android, como a Samsung, a Motorola, a Asus e a Lenovo. Ao ganhar espaço nessa disputa, a Amazon não concorre apenas com fabricantes, mas concorre com o próprio Android como sistema operacional, fazendo uso do Android, mesmo. Intrigante, não?

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7 respostas a Kindle Fire e a relação unilateral da Amazon com o Android

  1. Gilvan Ritter disse:

    Correções: "O Kinfle Fire não dará acesso ao.." é KinDle não é…
    A propósito o Google Music está disponível no Brasil? da última vez que tentei acessá-lo não estava disponível por aqui, não sei como funciona o Cloud Player da Amazon, também tem esta restrição aqui no BR?

    É realmente intrigante, assisti toda apresentação do Kindle e não ouvi em momento algum tocarem no assunto Android ou Google, a apresentação foi boa, não foi a nível de Steve Jobs como o Gizmodo andou postando, mas foi bem convincente. Vai ser um concorrente de peso para o Android, como uma briga entre pai e filho rebelde.

    Não vejo porque usar Android 2.3 em uma tela 7", o usuário final nem vai perceber, mas no caso do desenvolvimento de apps pra tablet, caso o Kindle se consolide será um retrocesso largar de todas as novas funcionalidades da API do Android 3.x.

    O tablet tem uma excelente base pra ser um sucesso (exceto pela loja de apps que pelo que andei lendo não facilita tanto pros desenvolvedores como o Market, e como deve dar trabalho lançar a nova versão de um app em duas ou três lojas de apps diferentes), tive a impressão de que será bem "user", a não ser que consigam fazer root nele, ainda não sei o clock do processador, apenas que é dual core, nem a memória ram dele..

    • Oi Gilvan, essas restrições geográficas de uso dos serviços estão rolando sim. Tratei delas no artigo do Techtudo. Aqui o foco era outro. Aqui eu uso uma VPN pra acessar spotify e outras coisas desse tipo quando quero.

  2. jbineli disse:

    acabo de pegar um Kindle Fire… até agora não consegui instalar UM APP… não sei se é por meu cartao de credito ser br ou pelo endereço… é meu 4º android em um ano e meio e a experiência continua sendo uma "merda que preciso 'freakear' ou mesmo rootear para poder funcionar… Gente, como podem usar esta praga?!!?!?!?!?!?!

    • Cara, esse texto mesmo deixa claro que isso praticamente não é um Android tablet. A loja de apps da Amazon não vende pro Brasil, a loja de música da Amazon não vende pro Brasil. Quem tá comprando esse tablet por aqui, eu acabo presumindo que tá comprando porque descobriu como contornar esse “pequeno problema” ou tá se conformando em usar apenas como um Kindle comum por enquanto na esperança de a Amazon abrir os demais conteúdos pra cá. Nem sabia que poderiam comprar desavisados, se não teria feito um outro texto deixando mais claro.

    • Mas por aí tem nego que já conseguiu hackear ele de todo jeito e acho que já conseguem instalar o Android Market nele… eu não compraria esse tablet, não estando no Brasil enquanto a Amazon não abrir esses serviços pra cá.

  3. intell disse:

    O dio não aprende! Nunca compre nada que não seja da apple, cabelo! É complicado demais pra sua cabecinha =] (e comprar logo esse "tablet" é muita joselitice…)

  4. Pingback: Suposto Nexus Tablet poderá ser concorrente do Kindle Fire

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