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Quando o iPad surgiu, em abril de 2010, não existiam concorrentes à altura rodando outro sistema operacional. Eu diria que o primeiro tablet com Android capaz de fazer frente ao iPad em termos de qualidade de construção, de desempenho, etc, foi o Samsung Galaxy Tab, que surgiu apenas em setembro do ano passado na Europa e pouco depois nos EUA.

A questão é que o modelo básico do iPad custa US$ 500,00 e, mesmo sendo “básico”, ele é um tablet hi-end. O Galaxy Tab é comercializado lá fora por US$ 600,00. No Brasil, a Samsung conseguiu vender muitas unidades desse aparelho -por  algo em torno de R$ 2.700,00 – devido à escassez de iPads no mercado. Quem estava ansioso por um tablet acabava adquirindo o Galaxy Tab para não ter que esperar pela disponibilidade do iPad.

O Motorola Xoom é o principal produto de uma nova geração de tablets, mas está anunciado para ser vendido, a partir do dia 24/02/2011, por US$ 800,00. Tudo bem, é um aparelho com processador dual core que, supostamente, deverá competir com o iPad 2 quando este for lançado. Acontece que não será nenhuma surpresa se a Apple repetir a façanha e entrar na nova geração com um preço de detonar a concorrência.

Mesmo que se aleguem as robustas configurações de hardware do Motorola Xoom, ele irá sofrer por não possuir um modelo mais simples que possa ser vendido a um preço mais acessível, essa é a questão. Se a Apple repetir o que fez com o primeiro iPad, o sucessor deverá vir em mais de um modelo, com preços capazes de competir em mais de um nicho de mercado, conquistando desde o entusiasta que deseja o top até o maluco que vai se endividar para pegar a versão mais simples.

Vamos abstrair toda essa discussão sobre os sistemas operacionais, não importam aqui as suas preferências, se você veste a camisa do Android ou do iOS. O que está em foco é a estratégia da Apple que, entre os tablets, é imbatível. Qual o segredo da maçã?

Um primeira hipótese aponta a vantagem no sistema de revendas.  A Apple possui sua própria rede de lojas, que vende diretamente ao consumidor, saltando revendedores. São mais de 300 Apple Stores ao redor do mundo vendendo iPads diretamente ao consumidor final. Oferecendo seus produtos diretamente na “loja da fábrica”, a empresa pode ter uma boa margem e ainda assim entregar um produto mais barato.

Fora de uma Apple Store, é difícil encontrar um iPad à venda. Apenas o Best Buy e o Wallmart possuem o aparelho com estoques bem limitados. Especula-se que o papel dessas lojas parceiras seja mais o de divulgar o produto do que o de gerar lucros para a Apple.

Ou seja, a fabricante talvez esteja fornecendo esses tablets às lojas parceiras com lucro bastante reduzido (ou até sem nenhum) possibilitando que elas tenham uma boa margem e coloquem o produto em evidência. Com o lucro das vendas do iPad diretamente nas Apple Stores, a turma de Cupertino pode bancar essa estratégia e talvez seja por isso que os estoques nas lojas parceiras são sempre bem limitados.

Nenhuma outra empresa envolvida no mercado de tablets possui a sua própria rede de lojas e nem pode se dar ao luxo de praticar estratégia assemelhada. A margem das revendas precisa estar embutida no preço do Xoom e do Galaxy Tab, assim como a do fabricante, sempre, em todas as transações. Ademais, o movimento das Apple Stores é tremendo e lá os produtos não competem com qualquer similar fabricado por um concorrente. São mecas de consumo de… produtos da Apple, e com enorme movimento!

Por outro lado, o autor dessa teoria afirma ter recebido, após sua publicação, um e-mail de uma fonte que não quis se identificar – não tinha autorização para revelar tais dados – relatando que na verdade a Apple não faz qualquer esforço para favorecer essas revendas. Segundo essa fonte, as lojas estão vendendo por US$ 500,00 um iPad que recebem por US$ 485,00. Quer dizer, será que o Wallmart e o Bestbuy se sujeitam a vender o produto por uma margem tão ridícula apenas para ter o iPad em suas prateleiras e atrair consumidores para suas lojas? Pode ser…

Além da estratégia de mercado, no caso do iPad, a Apple mantém uma linha de produção integrada inteiramente na vertical, ou seja, tudo o que equipa o aparelho, seja hardware ou software, é feito pela própria empresa. O chip A4 do iPad é da Apple, que não tem que pagar por ele à Intel ou à nVidia. O sistema operacional instalado no tablet também pertence à Apple, e não à Microsoft ou à Google.

Foi justamente para disputar no mercado mobile sem pagar licenciamento a ninguém que a HP comprou a Palm, que estava na pior, mas tinha o tal WebOS. O sistema não é a melhor coisa do mundo, mas aparentemente a HP conhece as vantagens de manter o domínio sobre o sistema operacional que vai nos seus equipamentos.

Além da venda do tablet em si, a Apple lucra com o iPad através do iTunes, do iBooks e da App Store. Tudo bem que o iBooks ainda precisa comer muito feijão com arroz pra bater de frente com o Kindle, mas o iTunes e a App Store são os meios de comercialização de conteúdo online mais bem sucedidos em suas categorias.

Diante disso, a Apple pode bancar a venda do tablet por um preço imbatível simplesmente porque o iPad é uma peça chave para o incremento dos lucros em venda de conteúdo, e esses vão pra a própria Apple, ao contrário do que ocorre com a Motorola ou com a Samsung.

Quer dizer, em qualquer aspecto analisado, seja na esfera do mercado, seja na esfera da produção, seja no retorno oferecido pela inserção do iPad num ecosistema de consumo de conteúdo, a concorrência leva uma tremenda desvantagem ao disputar com o iPad. É por isso que, surpreendentemente, pela primeira vez na história, um equipamento com aquela maçã mordida estampada nele sai mais barato do que qualquer similar de outra marca.

Fonte: Gizmodo

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8 respostas a Por que ninguém bate o preço do iPad?

  1. Mateus Azevedo disse:

    Cara, ótimo artigo!

    Esse ponto de vista realmente faz todo o sentido :razz:

    Agora me passou uma coisa pela cabeça: a Apple está inserindo a App Store nos Macs também. Será que ela vai conseguir essa façanha nos desktops também? Claro, considerando todas as proporções que a situação demanda :wink:

  2. Joacaa disse:

    Parabéns, assinei seu RSS, o conteúdo do site está muito bom e continue assim.

    Ótimo artigo, nunca tinha visto o mundo tablet dessa forma.

    Abraço.

  3. Opa! Agradeço bastante os elogios!

    Vamos levar esse blog adiante que tem muita coisa para falar por aqui.

    Obrigado, mesmo!

  4. intell disse:

    Muito bom artigo mesmo. Não tinha pensado em várias coisas que tu abordou, até que faz sentido.

  5. Derni Borges disse:

    Cada visita ao Droider é uma aula, não apenas na área de tecnologia.

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