Andei lendo algumas matérias relacionadas ao encalhamento dos tablets com Android. Nem o Honeycomb foi capaz de alavancar efetivamente a vendagem desses gadgets, mesmo sendo esse o propagado Android feito para tablets. Entre as causas apontadas para o problema, as principais dizem respeito à escassez de apps otimizados para o Honeycomb, assim como a dificuldade de identificá-los na interface do Android Market.

Ao acessar a App Store a partir de um iPad, os resultados das buscas são segmentados entre apps para o próprio iPad e apps que foram concebidos para o iPhone, mas que podem funcionar no iPad. No Android Market, não é possível, por hora, visualizar separadamente os apps que foram otimizados para o Honeycomb, embora seja possível ver uma seção com “Featured Tablet Apps”. Quer dizer, os aplicativos otimizados para o tablet da Apple, além de contarem com uma base de usuários, potenciais consumidores, muito maior, são exibidos com maior destaque, de maneira que o acesso a eles é facilitado, aumentando ainda mais as chances de aquisição.

A pouca demanda por apps para tablets Android, a pequena base de usuários do Honeycomb, é a principal queixa dos desenvolvedores, usada para justificar o motivo de não investirem esforços na produção de tais aplicativos. Por outro lado, a escacez de aplicativos otimizados para o Honeycomb é o principal argumento utilizado para desaconselhar a aquisição de um tablet com Android. É mais ou menos como o paradoxo dos biscoitos Tostines, só que ao contrário. Vende menos porque tem pouco app, ou tem pouco app porque vende menos?

A vantagem numérica do iPad é esmagadora. São 90.000 apps disponíveis na App Store para o tablet da Apple, desconsiderando aqueles disponíveis para o iPhone e compatíveis com o iPad. No campo do Android, embora o número seja dificílimo de estimar, os apps otimizados para o Honeycomb não chegam a 250, de acordo com essa cuidadosa pesquisa realizada para um blog de tecnologia do NY Times. Essa quantidade é superada até mesmo pelos aplicativos desenvolvidos para o TouchPad da HP, que rodam o WebOS: 300 ao todo.

É intrigante que um sistema como o Android, que se agiganta no mercado de smartphones, amargue uma desvantagem dessa monta quando o foco se desloca para o cenário dos tablets. Aqui o cerne da questão está entre o investimento necessário para a produção de um bom app e a demanda, a existência de potenciais consumidores. O mais bem sucedido tablet com Honeycomb é o Asus Eee Pad Transformer, que vendeu 400 mil unidades do lançamento até agora. O número de unidades do iPad 2 vendidas apenas no dia do laçamento varia entre 400 mil e 500 mil, com uma grande preponderância  de doidos varridos que pernoitaram nas filas que se formaram em frente às lojas pelo mundo.

Ao fazer um bom app para Android, um desenvolvedor precisa estar atento às variações de hardware, inclusive aos vários tamanhos de tela, o que faz com que o desenvolvimento seja menos trabalhoso ao se lidar com o iPad, sempre padronizado. É difícil que alguém encontre um motivo para ter mais trabalho desenvolvendo algo que terá menor demanda.

A explosão dos tablets é um fenômeno recente e ela foi impulsionada pela Apple, que ainda deverá manter sólida vantagem por um bom tempo. Antes de efetivamente competir com o iOS nesse formato, o Android precisa encontrar uma maneira comer o paradoxo do Tostines estragado. A Apple, por sua vez, nunca precisou enfrentar problema semelhante. Quando o iPad foi anunciado, pouca gente sabia pra que serviria aquela prancheta, mas mesmo assim multidões de malucos foram pernoitar nas calçadas em frente às Apple Stores para comprá-lo imediatamente.

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7 respostas a Tablets Android não vendem porque faltam apps, ou faltam apps porque os tablets não vendem?

  1. marcoc2 disse:

    Bom, o Android começou atrás do iPhone, como deveria ser, logo surgiu vários apps e ele cresceu em market share. Não sei qual veio primeiro.

    Eu acho que quase todo mundo precisa de um celular, e nisso o Android é uma boa opção, até porque muitos são mais baratos que iPhone. Agora tablets ainda não são algo necessário e os tablets Android de marcas conhecidas tem o mesmo preço do iPad, daí não tem como brigar com o hype do iPad.

    Olhando por esse lado talvez seja por não vender mesmo. Nenhum tablet Android ainda deu impressão de virar um hit como foi o Droid, e os Galaxy S.

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