Conforme estava prometido desde que escrevi esse primeiro texto sobre o Galaxy S II, chegou a hora de produzir uma análise mais detalhada do aparelho, com base no uso que fiz durante quase um mês. Serão abordados aspectos tanto de hardware quanto de software, além de questões relevantes da usabilidade, que nesse tipo de dispositivo se torna o mais relevante de todos os fatores.

Aspectos físicos

De certa forma, esses fatores foram bastante comentados no texto anterior. Poderei aqui ser um pouco mais sucinto.

A construção do Galaxy S II (SGS2, de agora em diante) segue a linha do primeiro modelo (SGS1), com muito bem-vindos aprimoramentos. O plástico ainda toma conta de tudo o que não é tela, mas o novo modelo se mostra mais sólido, mais resistente e, ao mesmo tempo, mais leve.

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A leveza do Galaxy S II é comentada por todos os que chegam a experimentá-lo.

 

A parte traseira do aparelho não é mais recoberta por uma grande tampa plástica fixada nas bordas. Agora, um plástico bem mais sólido e resistente é usado em partes fixas da traseira e a tampa da bateria recobre apenas a bateria e a área sobre o SIM Card e o slot para cartão Micro SD.

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A nova tampa traseira torna o dispositivo mais sólido.

Essa nova construção faz com que o SGS2 se apresente mais sólido, tirando aquela impressão de que o parelho pode se despedaçar à primeira queda que tínhamos com o SGS1. No fim das contas, não era apenas uma impressão, aquela tampa traseira realmente saia e o aparelho separava-se facilmente da bateria ao cair. Por outro lado, o Galaxy S II parece ser bem duro na queda.

Ainda na traseira, a excessiva exposição da lente da câmera a arranhões se faz preocupante. Toda a parte posterior do aparelho é bastante plana, enquanto a câmera fica sobressaltada e sua lente exposta ao contato com a superfície onde quer que você venha a repousar o dispositivo.

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A solução é procurar uma capa que ofereça proteção à lente da câmera, evitando que ela toque as superfícies.

Frontalmente, o SGS2 conta com a tela Super AMOLED Plus de 4,3” recoberta por Gorilla Glass e, na parte inferior, três botões dispostos de maneira idêntica à do primeiro modelo: “menu”, à esquerda, e “back”, à direita, são botões virtuais e o botão “home”, central, é físico e de formato retangular.

As laterais não mudaram, com o controle de volume à esquerda, logo acima um furo para a fixação daqueles phone straps (não imagino quem vá colocar penduricalho brega num aparelho como esse) e o botão de liga/desliga à direita, que no Android também cumpre a função de lançar um menu para ativação do modo silencioso, da rede de dados e do modo de avião (offline).

O conector Mini USB, que no Galaxy S ficava na parte superior do aparelho, foi movido para o centro da parte inferior e agora cumpre também a função de saída HDMI para vídeo Full HD (mais detalhes adiante). O conector de áudio para fones de ouvido e headsets continua na parte superior e, ao lado dele, num pequeno furo, está um sensor que participa de uma tecnologia de cancelamento de ruídos da Audience.

De um modo geral, o que impressiona no Galaxy S II, fisicamente, é a finura e a leveza. São aspectos comentados por todas as pessoas que pedem para dar uma olhada no aparelho. Ele tem apenas 8.49 mm de espessura, sendo em torno de 15% mais fino do que o modelo anterior, e pesa 115g, o que o faz apenas 3,36% mais leve. Talvez a impressão de leveza seja acentuada porque somos levados a esperar, pelo tamanho da tela, que o aparelho seja mais pesado, enquanto na realidade ele é um dos modelos de smartphones mais leves existentes.

Falando em tamanho da tela, assunto já discutido por aqui, a tela de 4,3’’ do SGS2 é realmente incrível, a tecnologia AMOLED da Samsung conseguiu evoluir além do imaginável entre a Super AMOLED e a Super AMOLED Plus, mas chegamos no limite. Digo, limite de tamanho, de qualidade de imagem, talvez seja difícil deixar muito melhor que isso, mas se conseguirem, o avanço é bem vindo.

A questão é que cada aumento da tela adiciona possibilidades ao dispositivo e, em troca, causa alguma perda de conforto na empunhadura. Pessoalmente, considero que o limite está aqui. Curto muito a tela do SGS2, mas, por favor, não façam um SGS3 com tela um display ainda maior!

Software

O Galaxy S II está sendo vendido com uma versão do Gingerbread, normalmente o Android 2.3.3, que pode ser atualizada, no Brasil, até a versão 2.3.4.

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No momento, a versão do Android no Brasil é a 2.3.4.

Um detalhe importante para tranquilizar os proprietários brasileiros do novo modelo é que, como o SGS2 vendido aqui é idêntico à versão internacional (i9100), o acesso a atualizações do Android deverá ser facilitado.

No primeiro Galaxy S, a Samsung resolveu lançar no Brasil e na Argentina uma variação, o GT-i9000b, que diferia do GT-i9000 por ser equipado com um decoder de TV aberta. Esse “detalhe” no hardware tornava esse modelo diferente do internacional e fazia com que atualizações para o sistema operacional dele fossem sempre mais complicadas. Em troca dessa tremenda desvantagem, você podia ver o Faustão. Grande negócio!

A Samsung prevê para o segundo trimestre de 2012 a atualização do Galaxy S II para o Android 4.0 (Ice Cream Sandwich). Até lá, é possível que atualizações para o próprio Gingerbread ou até mesmo um vazamento do Android 4.0 oficial caia na rede para atualização via Odin, o que obviamente será noticiado por aqui.

Touchwiz 4.0

A rigor, interfaces proprietárias que fabricantes aplicam sobre o Android são alvos de duras críticas, sobretudo nos redutos de usuários mais avançados e desenvolvedores, em fóruns de discussão online.

A relação desses usuários com o Touchwiz 3.0 não era de guerra declarada, mas a interface tinha lá seus problemas e deu ensejo a duras críticas. A maior parte desses problemas advinham da tentativa da Samsung de “mimetizar” demais a aparência do iOS.

A Touchwiz 4.0 (TW4) é uma interface mais limpa, de utilização mais agradável que a versão anterior, além de ter eliminado um tratamento dado aos ícones e ao app drawer que tentava criar uma imitação fajuta do iOS.

Em sua nova versão, a interface toma a primeira home screen da esquerda como a principal e as demais telas são acessadas deslizando lateralmente para a direita, num movimento muito fluido que parece fazer bom uso da GPU para renderização, além do poder de processamento extra do dispositivo. Dos Androids que cheguei a testar, o SGS2 é disparadamente o que apresenta a interface mais responsiva.

Os widgets proprietários trazidos na TW4 são bastante úteis e bem acabados, fazendo com que em várias ocasiões você prefira usá-los a procurar por substitutos no Android Market. Há um deles para controle de energia, muito completo, que por pouco não substituiu o Extended Controls como meu widget preferido para essa finalidade. Ele permite habilitar e desabilitar várias funções de hardware e de software diretamente da home screen, de maneira bem semelhante ao que fazemos com o Extended Controls, mas com esse já estou acostumado e ele já está comprado.

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O interessante modo de edição das home screens apresentado na TW4.

Algo totalmente novo na Touchwiz 4.0 é a maneira de customizá-la, de acessar e utilizar o modo de edição das home screens. Ao segurar por uns segundos um ponto da tela, em vez de exibir o menu tradicional onde o Android oferece a possibilidade de adicionar elementos, toda a interface entra num modo de edição, onde você pode facilmente navegar pelas opções de ícones e widgets a serem adicionados. Dessa forma, é possível escolher onde posicionar tais elementos através da visualização da home screen escolhida, que não é ocultada durante o procedimento, como acontece no Android “puro”.

Como tudo nesse mundo, o Touchwiz 4.0 tem o seu ponto negativo. Posso dizer com sinceridade que a única tentação que tenho para trocá-lo se deve ao desleixo com que a Samsung tratou o app drawer.

O app drawer é a parte da interface do Android onde você visualiza os apps instalados através de ícones organizados em linhas/colunas. Se serve de exemplo, o iOS, do iPhone, possui apenas isso e nada mais. A interface do iOS é apenas um app drawer, que eles chamam de interface, e ainda chamam de revolucionária, como se o PalmOS e outros sistemas não funcionassem assim desde o tempo em que a Coca-Cola ainda se tampava com rolha.

O que irrita no app drawer da Touchwiz 4.0 é a (falta de) ordem com que os apps são organizados por lá. Em todos os launchers existentes para o Android, por padrão, os apps são organizados em ordem alfabética. Mesmo que não seja o padrão, essa opção está lá para ser escolhida, e ela é a escolha mais óbvia.

No app drawer da Touchwiz 4.0, os ícones são acrescentados em ordem cronológica de instalação dos apps, o que tende a formar uma tremenda bagunça. O resultado disso é que essa instância da interface se torna confusa, forçando o usuário a usar as home screens para quase tudo de maneira a nunca precisar recorrer ao drawer. Intrigante é que, nas várias ROMs oficiais que usei no primeiro Galaxy S, algumas organizavam os apps alfabeticamente, outras não.

Hubs e apps pré-instalados

Mesmo a ROM mais limpa do SGS2, que não tenha sido bagunçada por alguma operadora, traz lá seus apps pré-instalados. Na maior parte são apps para leitura, como o da Livraria Cultura e o da Folha de São Paulo, ou apps integradores, os chamados “Hubs”, como o “Readers Hub”, o “Game Hub” e o “Social Hub”.

Esses Hubs se propõem a ser portas de acesso facilitado a determinados conteúdos. A verdade é que eles têm algum atrativo, no máximo, para recém-chegados ao Android que não saibam ainda se deslocar por conta própria pelo Android Market, instalar apps e games de acordo com suas preferências e selecionar seus próprios meios de interagir com as redes sociais através dos aplicativos e seus widgets.

O Game Hub entrega demos e jogos da Gameloft, da Eletronic Arts, da Glu Mobile e da GMO. Não tem almoço grátis aqui. Os títulos da Gameloft estão expostos como demos, assim como os da Eletronic Arts. Os games da Glu Mobile são gratuitos tanto no Game Hub quanto no Android Market. Os da tal GMO parecem tão tosquinhos que não me dei o trabalho de conferir.

Para não dizer que apenas reclamei dos apps pré-instalados, gostei do cliente de e-mail, que usei para minha conta do UOL, tendo em vista que a do GMail deve ser acessada com o app oficial da Google, por qualquer um em sã consciência.

Outro aplicativo a merecer destaque é o vídeo player da Samsung, que faz frente ao mVideoPlayer e aos melhores reprodutores de vídeo disponíveis para Android, com algumas vantagens. Um ponto forte no sistema operacional modificado pela Samsung é que, aqui, o Android recebe um MKV splitter incluso no próprio sistema operacional.

Com esses recursos de software e um hardware capaz de decodificar vídeo H.264 em até 1080p e equipado com uma saída HDMI, o smartphone se torna um reprodutor de vídeo de alta definição a ser levado no bolso. O hardware será melhor comentado adiante.

Quem possui equipamentos capazes de acessar stream de mídia via DNLA pode também contar com o AllShare, outro interessante aplicativo entre os pré-instalados. Ele permite que suas fotos e vídeos armazenados no SGS2 sejam exibidos na TV facilmente por meio da rede WiFi. Ainda nessa área, os apps de edição de fotos e vídeos também são interessantes.

Se o SGS2 é o seu primeiro Android, você em breve perceberá que, embora os fabricantes não pareçam concordar, o melhor mesmo é que o usuário escolha no Android Market que apps usará para certas finalidades, destacadamente quando se trata de acesso a redes sociais.

Aos poucos o usuário cria a sua própria maneira de acessar e interagir com as redes sociais instalando os aplicativos de sua preferência, posicionando widgets e customizando suas home screens. Todo fabricante insiste em embutir suas soluções para essa finalidade, mas elas não competem com os bons aplicativos disponíveis.

Customização

Customizações para o Android sempre foram um assunto bastante comentado aqui no blog. É realmente interessante ter um dispositivo como esse e poder trocar o sistema operacional por inteiro, ou partes dele, desde que você saiba o que está fazendo. Durante minha experiência com o SGS1, experimentei praticamente tudo o que foi disponibilizado em termos de customizações, pelo menos os projetos que se revelaram realmente interessantes.

Com o Galaxy S II a situação é diferente porque o sistema vem tão satisfatório que não há muitos motivos para largar a ROM original da Samsung por uma customizada. Cheguei a dizer algo semelhante no review do SGS1, mas aquele foi escrito rapidamente, antes de a experimentação mais pesada fazer com que o sistema mostrasse seus pontos fracos.

Estou com o SGS2 há praticamente um mês, possuo mais de 100 apps instalados e até o momento o sistema não mostrou qualquer sinal de “cansaço” que me fizesse correr em busca de otimizações para contorná-lo. Cheguei a instalar o Cyanogen Mod 7 nele apenas para satisfazer uma curiosidade e voltei, logo em seguida, para a ROM original da Samsung. Inclusive, o procedimento de regresso à ROM original foi ensinado aqui.

Não é por falta de opções, tanto o Cyanogen Mod quanto a MIUI ROM estão disponíveis para o SGS2, mas não me atraem devido ao grau de satisfação que tenho com o sistema original instalado no aparelho. Para não dizer que está tudo como entregue pelo fabricante, uso um custom kernel, muito mais como atalho para obter acesso root do que em busca de otimizações de desempenho.

Bom, o Android 4.0 (Ice Cream Sandwich) vem aí e, ao que parece, a versão oficial da Samsung deverá ser disponibilizada em março. Antes disso, é muito provável que uma versão amadurecida do Cyanogen Mod 9 entregue o Android 4.0 ao Galaxy S II. Isso fará com que eu use, pelo menos por algumas semanas, uma custom ROM no SGS2. A experiência poderá, como sempre, ser acompanhada no blog.

 Hardware central e desempenho

O SoC (System on a chip) do SGS2 é baseado no chipset Exynos, que consiste num processador central ARM Cortex-A9, dual core, rodando a 1,2Ghz e numa GPU Mali-400MP. Com 1GB de memória RAM, esse maquinário permite ver o Android rodando lindamente, mesmo na mão do mais pesado dos heavy users, com muitos apps instalados e muitos recursos do sistema em utilização.

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Quando os smartphones com processador dual core eram apenas uma promessa surgindo no noticiário tecnológico, minha impressão era que de aquilo não passava de uma jogada publicitária, que os sistemas operacionais e aplicativos não iriam tirar proveito de tanto poder de processamento e que as diferenças, na prática, seriam mínimas.

Se eu mudei de ideia? Digamos que já estou ansioso para testar um quad-core. O que o chipset Exynos faz no SGS2 é entregar uma experiência de usuário que, finalmente, mostra um Android hi-end com tudo o que se espera dele, do jeito que é entregue, sem incansáveis tentativas de ganho de desempenho através de customizações.

As muitas pesquisas e experiências feitas com o SGS1 para que ele pudesse “chegar lá” em termos de desempenho. Otimizações no kernel, modificação do filesystem da memória NAND, troca do sistema pelo Cyanogen Mod, tudo isso se dava porque o sistema estava sempre “quase lá”, mas nunca chegava ao ponto desejado.

O modelo anterior podia mostrar um Android fluido, bastante rápido, no início da utilização. Na medida em que vários apps iam sendo instalados, o sistema começava a parecer “cansado”.

O fator a contribuir mais fortemente para isso, acredito, é que o SGS1, assim como o Galaxy S II, já oferecia 2Gb para instalação de aplicativos, dando muita liberdade para que o usuário instalasse quantos apps e jogos entendesse, mas o modelo anterior não estava pronto para isso.

Acontece que o SGS1 contava apenas com 512MB de RAM e o sistema operacional tinha um enorme footprint de drivers de dispositivo comendo boa parte dessa memória. Ao dar liberdade ao usuário para instalar infinitos apps que iriam disputar recursos nessa situação, a Samsung criou um grande problema.

Ainda hoje, 2GB de espaço para instalação de aplicativos é um verdadeiro latifúndio. O lado bom disso é que, no SGS2, você conta com o mesmo espaço, num sistema que possui 1GB de memória RAM e recursos suficientes para, mesmo com incontáveis apps instalados, ter o seu Android rodando a todo vapor. .

O interessante é que o footprint dos drivers é quase o mesmo. No SGS2, dos 1024MB de RAM, “apenas” 839MB são efetivamente disponibilizados para uso, sendo 185MB a quantidade de memória que desaparece sob a pegada dos drivers. A questão é que 185MB comidos de um total de 1024MB não provoca o impacto causado pela mesma “mordida” num total de 512MB.

O que acontecia com o SGS1 pode ser creditado a um equívoco de projeto. Se o desempenho não poderia ser mantido após a instalação de muitos aplicativos, que não fosse disponibilizado tanto espaço para essa finalidade. Deram ao usuário uma boa corda para que ele pudesse se enforcar. Conhecendo algumas peculiaridades do gerenciamento de memória do Android, uma relação entre apps a instalar e memória RAM disponível precisa ser observada.

No SGS2, onde se tem um sistema robusto, com um grande poder de processamento e memória RAM em abundância, o resultado é um Android incrivelmente rápido em qualquer tarefa e que não perde essa característica, não importa quantos aplicativos ou jogos você venha a instalar. Simples assim, sem trocas de kernel, sem custom ROMs, com todo o sistema original e rodando como deve rodar.

Games e recursos multimídia

Com todo esse poder de fogo, é preciso saber o que, na prática, podemos fazer com um SGS2 em mãos. A verdade é que, além propiciar uma ótima experiência de usuário no próprio Android e nos apps de utilização mais corriqueira, a super máquina dá acesso ao que há de melhor no Android Market, rodando com folga qualquer game que você venha a experimentar.

A Gameloft, por exemplo, oferece jogos para Android de alta qualidade gráfica como Modern Combat 2, Backstab HD ou Asphalt 6: Adrenaline HD. Todos esses títulos foram testados rodando de maneira muito fluida no SGS2, com a vantagem de serem mais bem apresentados na tela Super AMOLED Plus de 4.3, que faz uma grande diferença em games.

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Backstab HD, da Gameloft, rodando no Galaxy S II

Falando em desempenho de sobra para ser explorado, outra experiência interessante, já comentada aqui, é a de rodar jogos exclusivos da nVidia, feitos para o Tegra 2, no SGS2. Mais uma vez o Exynos cumpre a tarefa sem reclamar, “tranquilo e infalível como Bruce Lee”. Nesse caso, o teste é mais exigente, tendo em vista que um jogo como Shadowgun é realmente muito pesado e está rodando mediante emulação de um driver proprietário da nVidia. O game não foi feito para rodar no SGS2, muito menos otimizado para ele, e roda sem problemas.

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Outro recurso interessante, esse viabilizado pela combinação do poderio do Exynos com um interessante trabalho da Samsung sobre o Android, fica na parte de reprodução de vídeo de alta definição. Sim, o SGS2 é capaz de reproduzir vídeo em até 1080p. Isso não surpreende, afinal a câmera dele filma em 1080p.

Um adicional interessante fica por conta de um splitter de MKV que a Samsung integra ao Android nesses aparelhos. Esses fatores combinados possibilitam a reprodução de um MKV com backup de um disco Bluray, em 1080p, no smartphone. A reprodução é fluida, sem qualquer falha perceptível.

Some-se ainda o fato de o aparelho contar com saída HDMI e de poder acessar dados de uma unidade de armazenamento externa USB. Ou seja, você acaba levando no bolso um media player de alta definição bastante versátil. Um ótimo recurso para viagens.

Considerações finais

Há uma discussão sobre responsividade dos sistemas operacionais móveis baseados em touch screen. Simplificando, é visível que o iOS foi desenvolvido de maneira que sua resposta ao toque é mais imediata. Enquanto o Android, mesmo em alguns modelos até então considerados hi-end, apresentava pequenos “engasgos” na resposta da interface ao toque, o iPhone sempre respondeu com uma fluidez impressionante.

A questão é que o Android trata a interpretação de gestos e a renderização da interface como um processo qualquer que pode, eventualmente, competir por recursos do sistema com outros processos executados naquele momento. A prioridade é nivelada.

No iOS, o sistema é projetado para dar prioridade máxima à interpretação do toque e à renderização da interface. Quando a tela de um iPhone é tocada, praticamente tudo o que estiver sendo realizado em segundo plano é imediatamente interrompido para que todo o poder de processamento trate, prioritariamente, da responsividade.

Esse detalhe não foi corrigido em nenhuma versão do Android porque, segundo consta, corrigir o problema demandaria uma mudança tão profunda no framework do sistema que praticamente todos os apps do Android Market precisariam ser reescritos para adaptarem-se.

Os esforços para fazer um Android tão responsivo quanto o iPhone, nesse quesito, sempre foram vãos. Com os novos modelos dual core, marcadamente com o SGS2 e o poderio do Exynos, é impossível reclamar de qualquer desconforto causado por essa questão. A interpretação de gestos e a renderização da UI continuam competindo por recursos com outras tarefas em execução, mas os recursos são tão abundantes que isso não chega mais, de maneira alguma, a comprometer a experiência.

Um sistema altamente responsivo numa tela espaçosa que, em cores e contraste, faz qualquer Retina Display passar vergonha. É disso que estamos falando.

Voltando a limitações de sistema operacional, há quem diga que o lançamento de um iPhone com tela maior esteve previsto e teria sido cancelado por limitações do iOS. Suspeita-se que o sistema não seja capaz de lidar com diferentes tamanhos de tela e que um iPhone de display mais avantajado causaria um caos de grandes proporções no ecossistema da AppStore.

Entre esse problema e o da responsividade, é preferível o segundo, que pode ser resolvido apenas fornecendo um hardware mais robusto. Nesse contexto, um iPhone cada vez mais sem graça vai ficando espremido entre ótimas opções de Android hi-end e um muitíssimo promissor Windows Phone que surge como desafiante.

Voltando ao Galaxy S II: Android hi-end começou aqui. Os que vieram antes foram esboços.

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27 respostas a Análise do Samsung Galaxy S II – um excelente smartphone analisado sob uma perspectiva crítica

  1. PingoDesign disse:

    Parabéns!!!

  2. wesleysilvano disse:

    Ótima análise! Parabéns!

  3. Sérgio Neves disse:

    Muito bom o post. Mais técnico e menos "caseiro" do que talvez esperasse. Parabéns mais uma vez.
    Agora que tem um Android mais ao gosto e um Windows Phone já testado, que tal um primeiro parecer comparativo dos dois sistemas? Abraço.

  4. Renato Bessa disse:

    Concordo com Sérgio Neves, um comparativo seria bem interessante.

    • Comparativo não faz muito sentido pois os sistemas operacionais são distintos e cada um vai atender melhor dependendo do perfil de usuário. É como comparar coca-coca com guaraná. Cada um vai ter uma preferência. Acho que o texto que vocês querem ver é o que fiz um dia desses, falando do Windows Phone sob a perspectiva de um usuário do Android, não?

      • Sérgio Neves disse:

        Entendo o que o Ticiano diz; na análise que fez do Windows, frisou isso mesmo, ele parece direcionado a um público diferente. Aliás, relendo o artigo "Windows Phone 7.5 (Mango) sob a perspectiva de um veterano do Android" e os comentários, já fiquei mais esclarecido quanto ao proposto.
        Ab.

        • Acho que um usuário insatisfeito do Android deve experimentar o Windows Phone, assim como um usuário insatisfeito do iOS também deve. É uma nova opção que está surgindo.

          Eu curti o sistema, mas me sinto em casa mesmo é no Android.

  5. Pingback: Shadowgun agora é compatível com Galaxy S II e outros dispositivos Android

  6. Jean disse:

    Parabéns, ótimo post. Sempre acompanho o blog e acho uma mão na roda para quem está começando no mundo Android e para quem já está ficando mais familiarizado no assunto. Eu tinha um Samsung Wave e o adorava, mas era meu primeiro smartphone. De tanto ouvir falar do Android resolvi comprar o Galaxy SII. Isso já faz uns meses e simplesmente não tenho palavras para descrever a satisfação. Ab.

  7. intell disse:

    Parabens, cabelo! Excelente review.

    SGS2 parece ser o supra sumo do consumismo! :D

  8. Renato Silva disse:

    Sobre o papo da interface do Android ser mais lenta(de fato é, mesmo que em alguns casos a falha seja escondida na velocidade do processador duplo), esse vídeo mostra bem a diferença:
    http://vimeo.com/33434734

  9. Romero Gomes disse:

    Ticiano, Parabéns meu chapa, agora me responde uma coisa, tem como bater uma foto da tela do SGS2 com ele mesmo, tipo um print da tela? Estou com o meu a 1 mes e meio e não consegui?? Vlw

  10. cybass disse:

    O iOS consegue lidar com telas de outras proporções, vide iPad e a compatibilidade dos aplicativos. Essa rumor de tela maior no iPhone foi ridículo, isso não deve acontecer por um bom tempo.

    Por que o iPhone é sem graça? Não entendi essa afirmação. Eu não trocaria o meu (no momento um 4S) por nenhum outro do mercado, até por que sou usuário Apple e a experiência completa não tem preço.

    Enfim, isso não foi um flame. Não sou hater nem xiita, espero que não me entendam mal e venham me tacando pedras haha

    Abs

    • A questão é a falta das funcionalidades e da praticidade trazidas por um sistema operacional que tem uma interface, com a possibilidade de uso de widgets, como no Android, ou de tyles, como no Windows Phone. Aquele painel com ícones, diante das interfaces que vem evoluindo para mobile atualmente, é realmente um troço preso no passado. Interface mobile que não apresenta muita coisa além de ícones de apps organizados em linhas e colunas e nada mais é coisa do tempo do velho e bom (para a época) PalmOS.

      • cybass disse:

        Precisa levar em consideração a facilidade de uso e a experiência do usuário, que no caso do sistema de ícones é quase instintivo. Acho que o único problema do Android ao meu ver é que é um sistema "de geek pra geek", o que atrapalha no uso geral de usuários que não tem tempo ou paciência pra aprender um UX diferente do que estão acostumados.

        Carros existem desde o final de 1800 e até hoje seguem o mesmo princípio, assim como o cinema. Acho que quando algo funciona, não existe motivo para mudar, a não ser que seja por uma melhora absurda e uma grande audácia. Não, eu não sou contra a outros tipos de UX e espero que alguem consiga fazer algo que melhore nossa experiência como um todo, mas nesse caso, eu não aposto meus 2 cents :)

        Observação sobre o aparelho: A tela não precisaria ser tão grande com essa resolução não tão alta (640×960 e 326ppi de densidade de pixel do iPhone4+ contra 480×800 e 216ppi do Galaxy S II). Também não acho o tamanho confortável pra usar no bolso ou até mesmo a "pegada".

  11. Pingback: Algumas notas sobre o Galaxy W, uma boa opção em custo-benefício

  12. Ticiano, primeiramente parabéns pelo site e pelo conteúdo das matérias e dos reviews. Tão excelentes!
    Comprei o SGSII recentemente e tava dando uma fuçada nele. Vi nesse seu review sobre a bagunça que a drawer fica e concordo plenamente. Contudo é possível organizá-la agrupando os apps da forma como for mais conveniente. Eu procuro agrupar de acordo com a afinidade entre eles como revistas todas juntas, jogos, etc. Na tela da drawer, é só clicar no botão de menu da esquerda e depois em 'editar'. Assim vc arrasta o app pra onde quiser e pode inclusive deletá-lo (como no iPhone) sem precisar ir no gerenciador de aplicativos.

    • Olá Otávio! Obrigado!

      Sim, entrar no modo de edição e sair organizando é uma saída… mas me irrita ele não colocar os apps automaticamente em ordem alfabética como fazem os outros launchers.

  13. Pingback: O que levar em conta antes de migrar para outra plataforma

  14. Pingback: Seu Galaxy livre da bagunça no app drawer da Touchwiz

  15. Valdir disse:

    Excelente artigo. Linguagem técnica o suficiente para demonstrar que entende do que está sendo analisado, sem o excesso de tecnologuiquês usualmente utilizado e, melhor, sem os sofríveis erros de gramática que assassinam o português ou o inglês e que muito usualmente são encontrados nos blogs tecnológicos que afirmam, sem pudor, que tal aparelho pesa quase "duzentas" gramas ou qualquer outra coisa do gênero.
    Tenho um N8 com Symbian Belle, gosto muito do aparelho mas fiquei uma semana com um Sii de um amigo e fiquei embasbacado com o Android (o dele estava com o ICS). Já encomendei o meu. Excelente explanação. Depois de ler seu artigo fiquei mais interessado no aparelho. Parabéns!

  16. lelecsc disse:

    Muito bom!
    Parabéns!

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