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Em vez de ficar apenas funcionando como tradutor do noticiário internacional sobre as novidades da CES 2011, resolvi voltar ao “velho estilo” e escrever algo que tenha mais utilidade para os leitores. Esse é um tema que eu esperei acumular alguma bagagem a respeito para então tratar dele por aqui com dicas efetivamente úteis para o melhor rendimento da bateria do seu smartphone. Decidi também dividir ele em capítulos para que cada dica possa ser melhor explicada, então vamos ao que interessa.

Lembra daquele papo de sempre utilizar ciclos inteiros de carga, da época das baterias de níquel/cádmio, devido ao tal “efeito memória”? Bom, isso não acontece mais com baterias de íons de lítio, ok? Eu sei que sempre vai ter alguém perturbando no seu ouvido com essa besteira, mas isso é coisa do passado e baterias de níquel/cádmio estão em desuso devido a esses problemas e ainda a questões ambientais. As baterias atuais não estão sujeitas ao chamado efeito memória.

Acontece que o seu Android pode reproduzir algo semelhante ao antigo “efeito memória” no plano do software. O sistema acumula um registro de utilização da bateria (batery stats) e, com base nesses dados, passa a administrar o uso da carga de maneira a melhor gerenciar o rendimento. Acontece que se você carrega a bateria novamente toda vez que ela desce abaixo dos 90%, você acaba confundindo essa análise. O sistema não sabe qual a real autonomia da sua bateria e com isso o gerenciamento fica comprometido. Em alguns casos isso pode ter resultados bem drásticos e causar a impressão de que a sua bateria não serve mais para nada.

Um meio mais fácil, acessível para qualquer usuário, para contornar esse problema, é passar a usar ciclos completos e carga. Irá demorar algum tempo para que as estatísticas de uso da bateria sejam completamente refeitas. É preciso usar o celular  com ciclos completos de carga até que os resultados possam vir e, depois disso, continuar usando ciclos completos na maioria das vezes.

Ah, então voltou o inconveniente do “efeito memória”? Não. A antiga bateria de níquel/cádmio era danificada permanentemente por cargas parciais e ciclos de uso incompletos. O sistema de gerenciamento do Android, por sua vez, é bastante inteligente. Ele não fica prejudicado com eventuais ciclos interrompidos. A coisa só ocasiona problemas quando a prática é reiterada e, mesmo assim, o “problema” é reversível.

Para os usuários avançados (precisa de acesso root), há uma maneira de normalizar a coisa mais rapidamente. O método consiste em limpar as estatísticas de uso da bateria no momento em que ela estiver com a carga plena e, a partir de então, passar a utilizar ciclos inteiros. A maioria dos menus de “custom recovery” oferecem, nas opções avançadas, algo como “wipe batery stats”. Basta iniciar o aparelho no menu de recovery e rodar esse  comando, mas não esqueça que isso deve ser feito com a carga plena.

Depois disso, passe a usar com mais frequência ciclos inteiros de carga. Não há problema em interrompê-los em certas ocasiões. Esse recondicionamento dos dados de “batery stats” só se fazem necessários quando o uso de cargas parciais se torna muito corriqueiro ou nos casos em que você troca ou atualiza a ROM do sistema.

Na continuação dessa postagem, darei dicas de economia de bateria que devem ser aplicadas nas configurações de sistema do Android. Enquanto isso, podem ir colocando em prática essa daqui.


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4 respostas a Melhore a autonomia da bateria do seu Android (Parte 1)

  1. Moisés Freire disse:

    E o que você me diz disso aqui!

    Carregue a bateria do seu celular: um conselho ainda mais óbvio, mas que poucos levam a sério: carregue sempre seu celular. Isso não é tão difícil quanto parece para a maioria das pessoas. Claro, às vezes você pode passar 14 horas sem lugar para carregar seu aparelho, mas a maioria de nós passa o tempo em casa, no escritório e outros lugares cheios de tomadas disponíveis. Leve seu carregador sempre com você, ou compre um carregador extra e deixe um em casa e outro no trabalho, por exemplo. Quando você estiver em casa ou trabalhando, basta ligar seu celular na tomada e dar uma carga extra, para não se preocupar depois.

    Quase todo smartphone com Android carrega a bateria via entrada microUSB, então encontrar um carregador para ele não será problema. Só não compre carregadores de qualidade duvidosa: eles geralmente superaquecem a bateria, e nada acaba com a duração da bateria como calor em excesso.

    Carregar a bateria constantemente, no entanto, não é um problema: aquela história de efeito memória é coisa do passado, de baterias de níquel-cádmio. As baterias atuais são de íons de lítio e na verdade perdem autonomia se você, antes de carregá-la, esperar que ela descarregue totalmente.

    Essa parte foi retirada dessa matéria sobre Task Killers.
    http://www.gizmodo.com.br/conteudo/lifehacker-tas

  2. Pois é. A matéria não contradiz por completo o que está aqui. Realmente, como foi dito no próprio texto, "efeito memória" não ocasiona mais desgaste da bateria em si. O problema é que há um detalhe na parte de software que quem não mexe frequentemente com customizações do sistema e coisas do tipo desconhece, o que acaba gerando esse efeito memória em nível de software.

    Como eu disse, cargas incompletas não são mais causa de um problema grave, mas eu não recomendaria que elas sejam feitas assim tão rotineiramente como propõe esse texto, apenas por confundir o gerenciamento de recursos feito pelo sistema. O "prejuizo", além de não ser definitivo, pois o sistema pode ser recalibrado, também não é tão profundo quanto no caso do antigo efeito memória. É uma perda mais sutil do que a que ocorre naquele caso e ela pode ser revertida a qualquer momento procedendo uma recalibragem do sistema.

  3. Pingback: Quatro dicas para economizar bateria do seu Android, ou para viver bem com ela

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