Publicado em

DroidVApple0060

O título acima parece coisa de despeitado, invejoso (termo muito em voga). Quem quiser saltar o texto e ir direto xingar nos comentários, boa sorte. O ponto aqui é fazer uma distinção entre Android e iOS (iPhone, iPad, iPod Touch) com relação à política de updates de cada plataforma e às expectativas que essas atualizações geram nos usuários.

Como já explicitei em alguns textos por aqui, sobretudo naquele em que comento minhas impressões sobre o Windows Phone, a experiência com a interface do iOS é um tanto frustrante para o usuário de um bom smartphone ou tablet com Android. Tudo parece muito “aprisionado”. Além da inexistência de qualquer forma de personalização, a “interface” do “sistema” se limita, basicamente, a uma coleção de ícones ordenados em linhas e colunas.

Nesse sentido, um dispositivo com o iOS se distancia até mesmo da noção de algo dotado de um sistema operacional (daí o “sistema” entre aspas”), tendo em vista que falta nele uma interface de usuário possibilitando uma interação com o sistema em si. Um “dumb phone” capaz de receber apps em Java também fica limitado a exibir, lado a lado, os ícones de tais apps. Nisso, o HiPhone e o iPhone são idênticos, por mais que a comparação seja grosseira (o objetivo é zoar mesmo).

É estranho, após tantos avanços em hardware, que a interface do iOS e as possibilidades de interação oferecidas não tenham evoluído em quase nada desde o primeiro iPod Touch. Enquanto isso, o Android, que já nasceu bem mais customizável e com muito mais possibilidades de interação, evoluiu um bocado a cada versão até o Gingerbread, e deu um tremendo salto para a última delas, o Ice Cream Sandwich.

Para uma visão bem clara do que está sendo dito aqui, vale a pena conferir o vídeo abaixo.

Após a demonstração do vídeo, ficam mais claras as razões expostas acima, bem como o título desse texto. Usuários de Android que tenham seus aparelhos estagnados em versões anteriores ao ICS têm muito o que lamentar, mas, convenhamos, o que tem a comemorar um usuário que recebeu no seu iPhone a última versão do iOS? O que ela trouxe de interessante?

Alguns podem alegar o iCloud, mas o Android está, há muito, bem servido em termos de integração com a nuvem, pois essa é uma das possibilidades mais antigas e mais elogiadas dos Google Apps que equipam o sistema nativamente. Falta um drive virtual, mas isso é abundantemente ofertado por terceiros, como o Drop Box ou o Box, que estava dando 50Gb de espaço para qualquer usuário do app para Android.

Como sempre, há também muito o que se criticar do lado de cá. Mesmo que o Ice Cream Sandwich seja essa beleza vista no vídeo, o update para ele tem sido, talvez, o mais embaçado processo de atualização visto desde o lançamento do Android em 2009. Poucos modelos receberam oficialmente uma versão do sistema que foi oficialmente lançada em novembro de 2011. Há também os casos como o Galaxy S II, que recebeu o ICS, como era de se prever, toscamente coberto pela TouchWiz, o que tira do usuário a chance de experimentar a nova interface do Android, maior trunfo do Ice Cream Sandwich.

O Android é hoje um sistema capaz de oferecer uma incrível experiência de usuário. Problemas anteriormente apontados, como alguns lags (pequenas travadinhas) estão inteiramente eliminados da atual geração, pelo menos no Galaxy S II e no Galaxy Nexus (ou Galaxy X). Esses modelos de ponta, que permitem usufruir realmente do progresso feito no desenvolvimento da plataforma, são capazes de oferecer, de longe, a mais completa experiência em tecnologia móvel da atualidade. Não há concorrente à altura, simples assim.

Por outro lado, a diversidade de modelos e a postura de alguns fabricantes cria verdadeiras armadilhas para quem precisa escolher um Android pra chamar de seu. Alguns modelos com Tegra 2, alardeado como “possante”, não apresentam a renderização da interface tão fluida quanto observada nos modelos da Samsung baseados na atual geração do SoC Exynos, casos do Galaxy S II e do Galaxy Note, ou no Galaxy Nexus, que usa o OMAP 4, da Texas Instruments, em conjunto com o Android puro, desenvolvido diretamente pela Google.

Se em alguns modelos alardeados como “possantes” remanescem problemas de desempenho, o que dizer então das linhas de entrada? Aqui voltamos àquela questão de adquirir um smartphone sabendo o que esperar dele. Um Android barato não se destina a ser comparado com um iPhone 4S, como se pode interpretar no discurso tresloucado de alguns fanboys.

Voltando ao tópico das atualizações, um modelo intermediário de Android, como um Samsung Galaxy W ou um LG Optimus 2X podem não estar rodando o ICS, enquanto um iPhone 3GS, vendido na mesma faixa de preço, é glorificado por rodar hoje o iOS 5.0.2. A questão é que, em virtude da tremenda defasagem do iOS em termos de interface, não é difícil reconhecer a superioridade de um desses modelos, mesmo rodando o Gingerbread, no comparativo. Até porque o Optimus 2X é um Android dual core que nem merece ser comparado a um iPhone de duas gerações atrás.

A verdade é que a interface simplória e defasada do iOS faz com que o fabuloso hardware que equipa o iPhone 4S perca quase que por completo sua razão de ser. Um bom Android precisa de um bom hardware em virtude do número de instâncias e de elementos da interface que ficam sempre à mão e de um multitask de verdade. Essa é a razão pela qual modelos mais simples dificilmente receberão o Ice Cream Sandwich.

Os avanços no desenvolvimento do Android têm gerado demanda por um hardware mais robusto e, nos modelos de ponta, é possível usufruir de tudo o que o sistema tem a oferecer. Enquanto isso, um iPhone 4S possui um hardware de fazer inveja que permanece sem mostrar a que veio, sendo impossível distingui-lo, no que quer que seja, de um iPhone 4, a não ser pela melhor qualidade das fotos e pelo preço.

Categorias: Android / Tags , .

13 respostas a 60% dos usuários já têm a última versão do iOS, e daí?

  1. @rbnamerico disse:

    Ticiano, acho que até hoje este foi um dos artigos mais lúcidos que li a este respeito. Embora eu não tenha (nem pretendo) um iPhone 4s, creio que o sistema faça uso mais pesado do hardware em outras situações (apps, jogos, etc), mas realmente a interface só evoluiu na densidade de pixels para acompanhar a tela e nada mais

  2. @rbnamerico disse:

    Digite o texto aqui!

  3. Ticiano, por falar nisso você viu que foi lançado o CM7, versão 7.2 (RC)?

    Testei alguns bugs que estavam dando por aqui no meu aparelho (SGS II) e agora roda tudo redondinho. Uma beleza! E Titanium backup pra atualizar! kkkkk

    Abs,
    Osvaldo Laurindo.

  4. Ivan Santos disse:

    Lembrando que Android bom não é somente Sansung, tenho um Motorola RAZR que tem este problema de atualização mas é um exelente smartphone, muito bom o post.

  5. Pryderi disse:

    Vendem a interface do iOS como revolucionária. Uma revolução de ícones e pastas? Eu já tinha isso no windows 95. Eu nem acho que o ruim do iOS seja a personalização, já que 90% das pessoas não se preocupa com isso. Mas eu quis um arquivo dentro do iPad que eu tenho e é preciso conexão com internet para tal. Os dados que estão lá são meus, mas eu preciso pelo modo Apple de enviar de um lugar pra outro. Um arquivo de 50 MB pesa em termos de conexão com internet e 3G não é esta maravilha. Dependo de mandar o arquivo para um dropbox, para depois o outro aparelho sincronizar, ou seja, tempo de upload e de download para um arquivo ser transferido entre dois aparelhos em minhs mãos.

    Mas macfags acham que isso faz muito sentido.

  6. Cara, eu acho que você exagarou um pouco.

    Primeiro que a grande revolta é que aparelhos que podem rodar o ICS – no meu caso, um Galaxy S que roda ICS extremamente bem – mas que não recebem updates oficiais. Principalmente no ICS, onde a mudança é muito grande. Nem vou falar do Galaxy W ou do Optimus 2X, porque são notoriamente superiores ao SGS em hardware.

    E no iOS, apesar das mudanças superficiais serem poucas, existe sempre uma grande quantidade de mudanças nas APIs do sistema. Garantir que a maioria dos aparelhos esteja rodando a ultima versão garente pros devs que eles podem usar aqueles recursos. E quão menos trabalho o dev tem com a plataforma, mais tempo ele tem para cuidar do que realmente é trabalho do app, de polir mais a interface e etc.

    Quanto ao iOS não ter "uma possibilidade de interagir com o sistema em si", é exatamente esse o ponto. O que a Apple defende é que os iDevices sejam apenas "telas" para o aplicativo que estiver rodando. O aparelho se transforma no aplicativo.
    Não estou dizendo que considero o ideal – em telefones até sim, mas em tablets acho o multitask do Win8 bastante interessante – mas essa é a posição da Apple. O usuário não tem que interagir com o sistema. O sistema deve ser o mais transparente quanto possível.

    E considerando interface e nada mais, acho difícil dizer que o Android 2.x ganha do iOS. A interface melhorou muito, especialmente no 2.3, mas acho que só está realmente competitiva no ICS.

    • Não consigo ficar preso naquele ambiente, ou preso pela ausência de um ambiente. Saltaria do Android pro Windows Phone, sem passar pelo iPhone, pela experiência que tenho com as três plataformas. Até vi um blogueiro de tecologia gringo uma vez usando razões semelhantes para largar o iPhone por um Windows Phone. Pra muita gente deve funcionar, aquela coisa resumida à exposição dos ícones de apps. Pra mim não dá.
      A própria MIUI ROM eu acho limitadora. E dizem que é nela que se tem, hoje, o ICS mais bem amadurecido pro Galaxy S II, mas não consigo me adaptar àquele tipo de interface. Lembra o iOS, mas ainda assim dá bem mais liberdade que ele, permitindo criar widgets e tudo. O maior problema é que elimina a distinção entre o ambiente do app drawer e as home screens onde ficam widgets e alguns atalhos especiais.

  7. lucasfernandes disse:

    Sempre utilizei o iPhone mas agora estou usando um Milestone 2 por razoes que me fugiram do controle. No inicio eu fiquei perdido. Tudo que eu tinha no meu iPhone os apps comprados e tudo o mais, não poderia trazer para o Android, fora o fato da interface sem diferente. Como eu tambem utilizo o OS X eu tinha uma ampla vantagem no quesito de integracao, já que tem programas que eu sincronizava direto e facilitava e muito a minha vida. Ainda estou em processo de adaptacao com o novo sistema. Sempre tive a mesma queixa quanto a interface do iPhone não possibilitar uma customizacao maior e aquilo chegava a pontos em que se tinha paginas em excesso além de varias pastas tudo empilhado. Mas em contrapartida o telefone tinha uma sobrevida muito maior em relacao aos Androids. Porque digo isso? Porque as atualizacoes trazem mudanças importantes e como bem disseram, a interface nao é trabalhada como a do Android, então se você tem o 3GS pra frente pouca coisa vai mudar se você manter tudo atualizado. Enquanto no Android, tudo depende do teu hardware. Tirando a questao das atualizacoes sairem para alguns modelos e você ficar a mercê de fabricante. E isso era o que me deixa, ainda, meio receoso quanto ao Android e esse modo de trabalho, mas é claro isso pode ser mudado. Quanto ao Milestone 2, me vi um pouco enjoado da interface do Froyo e acabei instalando o CM 7.2, que está funcionando perfeitamente. Se a Google tivesse maior cuidado quanto a essa politica de updates dos sistemas, eu pensaria mais em passar definitivamente para o lado do Android.

    • E o Android é um campo minado em termos de escolha de modelos também, principalmente de fabricantes. Quanto a essa questão de updates, uma pesquisa no exterior reproduziu uma impressão que eu já tinha e que já foi transmitida aqui no blog várias vezes. O fabricante mais confiável no tocante a atualizações ainda é a HTC, na coluna do meio está a Samsung, e a pior é a Motorola, como sempre foi.

      Infelizmente a HTC não traz Androids pro Brasil, a Samsung lamentavelmente reina sozinha aqui, e a Motorola, se todo mundo lesse esse blog, não vendia um Android no país.

      • lucasfernandes disse:

        Concordo completamente com você. Mas acho que essas disparidades foram causadas pelo modelo que foi criado para a gestão do sistema Android. Por isso que, na minha opinião, já passou do tempo da Google tomar as redeas e fazer com que as fabricantes encontrem a luz. Exemplos disso são todas as fabricantes. A Samsung lança um smartphone e um tablet por mês, pra mesma função você tem 3 a 4 modelos iguais. As outras não ficam muito atrás. Depois perguntam porque todos compram iPhones e iPads.
        E é nesse sentido que o Google tem que agir, limitar a extensao de telefones que fazem a mesma coisa e que acabam não dando efeito em nada. Seria ótimo se as fabricantes tivessem 2 ou 3 modelos anuais onde concentrassem todo o seus esforço e parassem de dar tiro pra tudo quanto é lado.
        Finalmente, o Eric Schimidt se posicionou quanto a esse carnaval e disse que existem plano de lançarem produtos exclusivos sobre o nome do Google para tomar a frente contra o iPhone e iPad. Esse tipo de ação já se faz necessária a muito tempo, mas antes tarde do que nunca.

  8. henrique disse:

    optimus 2x vai atualizar para o ics sim
    2 trimestre 2x
    3 trimestre black,3d
    pesquisa antes de postar errado

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>